
Sarney não quer se indispor com os parlamentares que o salvaram em agosto de processos de cassação no Conselho de Ética. Ele pediu que o Conselho de Administração do Senado um projeto de resolução, com base no estudo da Fundação Getúlio Vargas, que reduz o número de diretorias e gratificações, recebidas por 3 mil funcionários. O documento do conselho deixa o quadro do Senado com 13 servidores em funções de direção, sendo sete diretores e quatro adjuntos, ante as 38 diretorias atuais (chegou-se a anunciar, em março, o número de 181). As demais gratificações chegariam a 800.
Formado por concursados, o Conselho de Administração prepara um plano de carreira para fazer "operação casada": em troca do corte nos bônus, os salários dos 3,4 mil servidores efetivos seriam reajustados. Alega, internamente, que as gratificações foram dadas pelo ex-diretor-geral Agaciel Maia para compensar a falta de reajuste salarial. E defende que os bônus são incorporados à remuneração. Pela proposta, sem gratificações, a remuneração mínima, de servidor de nível médio, saltaria de R$ 6 mil para R$ 9 mil. E a máxima, de um consultor com nível superior, chegaria a R$ 19 mil, quantia que pode passar de R$ 21 mil, dependendo do cargo de chefia e do tempo de carreira. Esse valor supera o salário de senador, de R$ 16,5 mil.
Ontem, Sarney e o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), deram um recado ao diretor-geral, Haroldo Tarja: não há espaço para discutir plano de carreira. A ideia é só aprovar a reforma administrativa para ter impacto na opinião pública. A secretária-geral da Mesa, Claudia Lira, apresentou por três vezes o plano de carreira a Sarney. Esperava dele a designação de um relator. Em vão.
Sarney quer cortar R$ 150 milhões para melhorar a imagem do Senado, mergulhado numa agenda negativa desde o início do ano, com o ápice na descoberta dos atos secretos, que envolveram seus parentes e aliados. A iniciativa de poupar funcionários de confiança e mexer no bolso dos servidores de carreira incomodou um grupo forte e corporativista da Casa, que não aceita "pagar o pato" pela crise. "Isso é muito grave. Vai levar o Senado ao pé de guerra. Não se pode reduzir salário. É evidente que podemos parar (se não aprovar plano de carreira)", diz o presidente do Sindicato dos Servidores Legislativos (Sindilegis), Magno Mello. A assessoria de Sarney informou que o corte de comissionados faz parte de um "cronograma futuro".
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